PFC suspende a atividade

     A crise de 2007 colocara Portugal à beira de um resgate financeiro, quando um grupo de cineastas independentes decidiu disponibilizar o seu know-how na promoção dos atributos nacionais, visando captar projetos cinematográficos/audiovisuais que ajudassem a desenvolver o setor audiovisual e a induzir benefícios diretos e/ou indiretos a favor do País. 


     Nasce assim a ACVA, uma associação sem fins lucrativos, mentora do projeto “Why Portugal ?” que propõe suprir uma lacuna de longa data, uma Film Commission que promova no exterior os trunfos portugueses, e que internamente sensibilize quem de direito para este desígnio.


     À época a palavra mais ouvida era… austeridade, os mecanismos de apoio eram residuais… o potencial do País neste mercado era pouco reconhecido e a burocracia abundava (2 semanas para obter uma licença de filmagens por exemplo) … ou seja, muitos obstáculos pela frente !


     O projeto foi enviado a diversas entidades (ICA, AICEP, Turismo de Portugal, etc.), recolhendo elogios unânimes e votos de sucesso pela sua absoluta necessidade, mas sem obter apoios diretos, especialmente no plano financeiro.


     No final de 2010, o ICA reconhece mérito ao projeto da ACVA e atribui-lhe apoio institucional, o que conduz à posterior declaração de interesse cultural do Ministério da Cultura, crucial para que a ACVA possa criar a Portugal Film Commission, e a iniciar a sua atividade dando resposta aos pedidos de informações rececionados no ICA e de pronto reencaminhados para a PFC.


     Sem apoios financeiros estatais, recorrendo apenas a graciosos e voluntariosos contributos dos seus membros, a PFC promoveu ativa e positivamente as aptidões nacionais, contribuiu para a mudança de mentalidades e de paradigma que abriram a Portugal um novo nicho de mercado, e induziu sinergias promocionais para o País com inevitáveis reflexos no boom turístico atual. 


De forma resumida, eis um breve balanço da sua atividade: 

» Respostas (gratuitas) rápidas e precisas a todas solicitações. (Cerca de 900, de todo o mundo e diversos tipos de produções, na maioria documentários (28,5%))

» Website a surgir no topo de pesquisas dos principais motores de busca. (Visitas originárias de 112 países + 35 estados dos EUA e 7 províncias do Canadá)

» Cerca de 2,5 milhões de euros em benefícios diretos para a economia nacional, via projetos captados. (O valor real será superior, porque nem todas as produções indicam o orçamento)

» Mais de 1/3 das produções realizadas possibilitaram ainda benefícios indiretos via promoção do País com reflexos no incremento turístico. (Valores impossíveis de apurar e de contabilizar)

» Planeamento e acompanhamento de visitas com produtores externos. (sigilo requerido)

» Planificação de visita ao território continental (Fam-Tour) com convite a Location Managers ligados aos principias estúdios norte-americanos. (não executada por falta de verbas)

» Convite endereçado (e aceite) a uma personalidade cinematográfica de renome mundial para embaixador internacional da PFC. (Em stand-by, aguardando oportunidade de divulgação)

» Parcerias pontuais com o Turismo de Portugal e Associações Regionais de Turismo visando captar projetos com potencial promocional turístico. (alguns com excelentes níveis de audiência em países emissores de visitantes para Portugal)

» Elaboração com as Film Commissions de Algarve e Porto de um Plano Estratégico (2012) que apontava um plano de ação, previa um debate alargado a várias tutelas e sugeria a criação de incentivos fiscais por exemplo. O plano foi entregue nas secretarias de estado da cultura e do turismo bem como aos deputados da comissão parlamentar de cultura. Poderá ter funcionado como embrião para as alterações entretanto introduzidas na área

» Diversas reuniões de sensibilização com múltiplas entidades em vários pontos do território


     Apesar da árdua tarefa em permanente cenário económico adverso, a ACVA orgulha-se dos resultados obtidos com a PFC, apenas lamentando os projetos não executados por carência de apoio de outras entidades e que não podiam avançar exclusivamente com meios próprios.

 

     Após 8 anos, Portugal evoluiu significativamente na promoção orientada para o audiovisual e é hoje muito mais Film Friendly, tendo paralelamente atingido o topo das preferências turísticas.


     Seja reconhecida ou não, na ACVA sabemos que a atividade da PFC contribuiu bastante para a evolução do País nas duas áreas, e é isso que nos leva a crer termos cumprido a missão a que nos propusemos.


     As constantes mudanças políticas ocorridas no período em causa (3 Governos da República, 7 titulares da pasta da Cultura e 3 direções do ICA) acabariam por debilitar a ligação institucional pré-existente e conduzir a um progressivo afastamento do debate sobre o futuro da atividade. Sendo intenção do atual Governo criar uma Film Commission oficial, entendeu por bem a ACVA suspender (por tempo indeterminado) a atividade da PFC a 31.12.2018, evitando assim eventuais equívocos entre as entidades, em prol do interesse nacional.


     Não podemos proceder a esta suspensão sem agradecer sinceramente a todos os que acreditaram no nosso projeto, aos que colaboraram com ele, aos que nos confiaram os seus projetos em busca de apoio e aos que beneficiaram dos nossos serviços a favor das suas produções.


A todos o nosso muito obrigado, com os melhores votos para o futuro

Sérgio Monteiro Carlos

Presidente da Direção da ACVA